Como lidar com o mal de altitude em Cusco e Puno

Puno fica a 3 810 metros acima do nível do mar. Cusco, a 3 400. Essa diferença de 410 metros surpreende muitos viajantes que chegam a pensar que Cusco era o ponto mais alto da viagem e descobrem que a parte mais alta vem a seguir. Se pretenderes percorrer o sul do Peru entre estas duas cidades, é importante compreender o mal de altitude Não é um pormenor insignificante: é a diferença entre desfrutar do altiplano e passar a viagem com dores de cabeça.

O mal de altitude surge quando o corpo não consegue adaptar-se à menor quantidade de oxigénio presente nas altitudes andinas. Não tem nada a ver com a tua condição física. Uma pessoa que pratica desporto pode senti-lo da mesma forma ou até pior do que alguém sedentário, porque depende da rapidez com que se sobe, e não da intensidade do treino.

O que é o mal de altitude e por que é que Cusco e Puno afetam mais intensamente

O mal de altitude é a reação do corpo à falta de oxigénio em altitudes elevadas, e é sentido com maior intensidade em Cusco e Puno, uma vez que ambas as cidades se situam acima dos 3 400 metros, altitude a partir da qual o organismo começa a sentir os efeitos da pressão atmosférica mais baixa. À medida que a altitude aumenta, o ar torna-se mais rarefeito e cada respiração fornece menos oxigénio ao sangue.

Os sintomas surgem normalmente entre 6 e 24 horas após a chegada e, na maioria das vezes, agravam-se durante a noite. Os mais comuns são dor de cabeça, náuseas, tonturas, cansaço, falta de apetite e sensação de falta de ar ao subir escadas ou caminhar em subida.

De acordo com os Centros de Controlo de Doenças dos Estados Unidos (CDC), viajar de avião e dormir a mais de 3 400 metros sem aclimatação prévia pode provocar mal de altitude em até metade dos viajantes. Por isso, é aconselhável levar a altitude a sério desde o primeiro dia.

Puno fica a uma altitude maior do que Cusco?

Sim. Puno fica a 3 810 metros e Cusco a 3 400, pelo que Puno fica cerca de 410 metros mais alto. O lago Titicaca, nas margens de Puno, situa-se a 3.812 metros e é um dos lagos navegáveis mais altos do mundo. Isto significa que, se viajar de Cusco para Puno, está a subir, e não a descer, e o corpo sente a diferença.

Muitos viajantes planeiam mal devido a este facto. Partem do princípio de que, depois de Cusco, já passaram pelo pior e chegam a Puno sem tomarem precauções, precisamente à cidade mais alta do percurso. Saber isto de antemão permite-te poupar energia e tomar precauções para a etapa final.

A melhor ordem das etapas para te adaptares ao clima

A ordem em que visitas as cidades do sul é, por si só, uma estratégia de aclimatação. Subir de forma gradual dá tempo ao corpo para produzir mais glóbulos vermelhos e adaptar-se à redução do oxigénio.

A sequência mais suave para o corpo é esta:

  1. Arequipa (2 335 m): o ponto intermédio ideal. Passar aqui um ou dois dias ajuda o organismo a adaptar-se antes de subir aos 3 400 metros de Cusco.
  2. Cusco (3 400 m): Quando chegares, leva as coisas com calma no primeiro dia. Nada de longas caminhadas nem de esforço assim que saíres do autocarro.
  3. Puno (3 810 m): o ponto mais alto, no final, quando o corpo já está há dias a adaptar-se.

Chegar diretamente a Cusco ou a Puno a partir do nível do mar é o que mais provoca o mal de altitude. Se conseguires organizar o teu percurso de forma a subir por etapas, ganhas conforto e reduz o risco. Os percursos diretos entre estas cidades permitem precisamente isso: fazer a subida ao teu ritmo.

A passagem de La Raya: o ponto mais alto entre Cusco e Puno

Há um pormenor que quase nenhum guia menciona e que convém ter em conta. No trajeto de Cusco a Puno, a estrada atravessa o passagem de La Raya, a 4 335 metros. É o ponto mais alto de toda a viagem, mais alto até do que Puno.

A travessia é curta, mas é onde o mal de altitude pode atingir com mais intensidade durante o percurso, sobretudo se desceres para tirar fotografias e te movimentares rapidamente. Na Rota do Sol, La Raya é um miradouro com vista para os picos nevados, por isso vale a pena estar preparado: andar devagar, respirar fundo e não carregar peso nesse troço.

Cima nevada andina perto de La Raya, entre Cusco e Puno

Como prevenir o mal de altitude antes e durante a viagem

A prevenção começa antes de entrar no veículo e continua durante todo o trajeto. Estas são as medidas que realmente funcionam:

  • Sobe por etapas. Se possível, passe uma noite num local a uma altitude intermédia, como Arequipa ou o Vale Sagrado, antes de chegar a Cusco ou a Puno.
  • Hidrata-te mais do que o habitual. A altitude desidrata; bebe água ao longo do dia, mesmo que não tenhas sede.
  • Come pouco. Dê preferência a alimentos de fácil digestão, como sopas, quinoa ou arroz. Evite gorduras pesadas.
  • Descansa no primeiro dia. Não marques caminhadas nem excursões exigentes logo à chegada.
  • Evite o álcool e o tabaco nas primeiras 48 horas, porque os sintomas agravam-se.
  • Move-te devagar. Subir escadas ou subidas cansa muito mais em altitude; faz isso com calma.

Remédios que realmente funcionam: coca, muña, medicação e oxigénio

Os remédios andinos contra o mal de altitude são utilizados há séculos e continuam a ser os mais práticos. O mate de coca é o mais conhecido: encontra-se em quase todos os hotéis e restaurantes de Cusco e Puno. O muña, uma hortelã andina, desempenha uma função semelhante.

Mate de coca, remédio tradicional andino contra o mal de altitude

Para quem procura algo mais forte, a acetazolamida (conhecida pela marca Diamox) ajuda o corpo a adaptar-se mais rapidamente, mas é aconselhável consultar o médico antes de viajar, pois pode causar efeitos secundários em algumas pessoas.

O oxigénio É a solução mais imediata quando os sintomas se agravam. Muitos hotéis situados em altitudes elevadas têm tanques disponíveis, e nas lojas vendem-se latas portáteis de oxigénio. Viajar num autocarro que dispõe de oxigénio a bordo proporciona uma maior tranquilidade precisamente no troço em que mais é necessário, quando se está a subir e não há nenhum hotel nas proximidades.

Sinais de alerta: quando o mal de altitude se torna grave

A maioria dos casos é leve e passa em dois ou três dias. No entanto, existem sintomas que exigem cuidados médicos imediatos e a descida para uma altitude mais baixa: dor de cabeça intensa que não cede com repouso nem com analgésicos, confusão ou dificuldade em andar em linha reta, falta de ar em repouso, tosse com catarro espumoso ou pressão no peito, e vómitos que impedem a hidratação.

Estes sintomas podem indicar quadros graves, como edema cerebral ou pulmonar de altitude, e não devem ser ignorados. Perante qualquer um deles, descer de altitude é a prioridade.

Perguntas frequentes

Quantos dias preciso para me aclimatar antes de subir a Puno?

O ideal é dar ao corpo dois ou três dias para se adaptar a uma altitude intermédia ou em Cusco antes de chegar a Puno. Se vieres diretamente do nível do mar, quanto mais gradual for a subida, melhor.

O autocarro noturno agrava o mal de altitude?

Não necessariamente. Viajar à noite enquanto dormes pode ser confortável, mas como os sintomas agravam-se à noite, é aconselhável manter-te bem hidratado e escolher um serviço que ofereça oxigénio a bordo, por precaução.

O mate de coca tem mesmo efeitos benéficos ou é apenas uma tradição?

Ajuda a aliviar os sintomas ligeiros e a manter a hidratação, e a sua utilização é muito comum nos Andes. Não cura o mal de altitude, mas alivia os sintomas e ajuda na aclimatação.

Posso tomar comprimidos para prevenir o mal de altitude?

A acetazolamida pode ajudar, mas requer receita médica e consulta prévia devido aos seus efeitos secundários. Não é indicada para todas as pessoas, por isso, decide isso com o teu médico antes da viagem.

O que devo levar para o mal de altitude durante a viagem?

Água em abundância, um pouco de mate de coca ou rebuçados de coca, roupa quente para as altitudes e a tua medicação, caso o médico te a tenha receitado. Deslocar-te devagar nos troços a grande altitude, como La Raya, faz o resto.

Planear a ordem dos teus percursos pelo sul do Peru é a melhor forma de te protegeres do mal de altitude. Se quiseres subir ao teu ritmo e com oxigénio disponível no troço mais alto, a rota direta de Cusco para Puno A Mer Turismo foi concebida para que chegue ao altiplano a sentir-se bem.

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