O Vale Sagrado do Peru: ruínas, aldeias e excursões

O Vale Sagrado dos Incas estende-se a norte de Cusco, ao longo do rio Urubamba, entre as aldeias de Pisac e Ollantaytambo. Reúne ruínas incas, mercados andinos e paisagens montanhosas a uma altitude inferior à de Cusco, pelo que constitui a primeira paragem ideal numa viagem pelo sul do Peru.

Muitos viajantes passam por aqui de passagem, a caminho de Machu Picchu, sem lhe dedicar o tempo que merece. É um erro. O vale possui sítios arqueológicos que rivalizam com os mais famosos do país, aldeias vivas onde ainda se fala quechua e uma vantagem prática que quase ninguém aproveita: fica a uma altitude mais baixa do que Cusco, pelo que é o melhor local para passar as primeiras noites e aclimatar-se antes de subir.

O que é o Vale Sagrado e onde fica?

O Vale Sagrado dos Incas (Willka Qhichwa em quechua) é um vale andino da região de Cusco, banhado pelo rio Urubamba, que se estende desde Pisac até Ollantaytambo. Foi o coração agrícola do Império Inca devido às suas terras férteis e, atualmente, concentra alguns dos sítios arqueológicos mais impressionantes do Peru.

As suas duas portas de entrada, Pisac e Chinchero, ficam a cerca de uma hora da cidade de Cusco. O vale situa-se entre Cusco e Machu Picchu, o que explica por que razão tantos viajantes por ele passam. Mas reduzi-lo a um mero ponto de passagem é perder o que ele realmente tem para oferecer: terraços suspensos nas montanhas, salinas de origem pré-inca e mercados onde a vida andina segue o seu ritmo secular.

Por que é que o Vale Sagrado fica mais baixo do que Cusco (e por que é que isso te convém)

O fundo do Vale Sagrado situa-se a cerca de 2 800 metros acima do nível do mar (Urubamba a 2 870 e Ollantaytambo a 2 790), cerca de 600 metros mais baixo do que Cusco, que se situa a 3 400. Essa diferença de altitude, que pode parecer um pormenor, é fundamental para uma boa aclimatação.

Chegar diretamente a Cusco a partir do nível do mar é o que mais provoca o mal de altitude. Passar as primeiras uma ou duas noites no Vale Sagrado, a uma altitude mais baixa, dá ao corpo uma etapa intermédia antes de enfrentar os 3 400 metros de Cusco e, mais adiante, os 3 810 de Puno. É a mesma lógica de subida por etapas recomendada pelos médicos especializados em altitude. Se quiseres saber como prevenir o mal de altitude ao longo de toda a tua viagem, consulta o nosso guia sobre o mal de altitude em Cusco e Puno.

Uma observação para não te confundires: Chinchero, uma das portas de entrada do vale, é a exceção. Situa-se a 3 760 metros, mais alto do que Cusco, porque se encontra no planalto e não no fundo do vale.

As aldeias do Vale Sagrado

Cada aldeia do vale tem o seu próprio carácter, e conhecer as suas diferenças ajuda-te a decidir onde ficar. Estas são as quatro principais:

  • Pisac. Famosa pelo seu mercado de artesanato, um dos maiores da região, e pela sua cidadela inca no topo da colina. Aos domingos, o mercado enche-se de habitantes das aldeias vizinhas.
  • Urubamba. A maior localidade e o centro geográfico do vale. Um bom ponto de partida para ficar, com hotéis, restaurantes e ligações a todo o vale.
  • Ollantaytambo. Uma vila inca ainda viva, com ruas e canais de água que seguem o traçado original. É aqui que fica a estação ferroviária com destino a Machu Picchu, pelo que quase toda a gente passa por aqui.
  • Chinchero. Conhecida pelas suas tecelãs, pela sua igreja colonial assente em alicerces incas e pelas vistas sobre o vale. É a porta mais alta, situada no meio do planalto.

Terraços incas de Ollantaytambo, no Vale Sagrado

As ruínas e locais a não perder

O Vale Sagrado concentra sítios arqueológicos de primeira ordem, a maioria a uma curta distância uns dos outros. Estes são os que não se pode perder:

  • A cidadela de Pisac. Terraços agrícolas que se estendem pela encosta e uma área cerimonial no topo, com uma das melhores vistas sobre o vale.
  • A fortaleza de Ollantaytambo. Um enorme complexo de terraços e templos de pedra que serviu de fortaleza e centro religioso. Foi um dos poucos locais onde os incas resistiram aos espanhóis.
  • Moray. Um conjunto de terraços circulares escavados no solo, semelhantes a anfiteatros. Acredita-se que os incas os utilizavam como laboratório agrícola, tirando partido dos diferentes microclimas de cada nível.
  • As salinas de Maras. Milhares de bacias de sal dispostas em degraus na encosta de uma colina, em uso desde tempos pré-incas. É uma das paisagens mais fotografadas do vale.

O Bilhete Turístico: o que inclui e quanto custa

Para aceder à maioria dos locais do Vale Sagrado, é necessário o Bilhete Turístico de Cusco; não se pagam entradas individuais. O bilhete completo custa 130 soles (cerca de 36 dólares), é válido por 10 dias e inclui Pisac, Ollantaytambo, Moray e Chinchero, além de vários locais na cidade de Cusco.

Existem também bilhetes parciais mais baratos, válidos por um ou dois dias, caso pretenda visitar apenas uma parte. Podem ser comprados em dinheiro no primeiro local que visitar, e é aconselhável levar o passaporte, pois, por vezes, pedem-no.

Uma exceção importante: as salinas de Maras não estão incluídas no Bilhete Turístico. São pagas à parte, cerca de 20 soles para visitantes estrangeiros, porque são geridas pela comunidade local.

Salinas de Maras, bacias de sal dispostas em degraus no Vale Sagrado do Peru

Como visitar: excursão, visita guiada ou por conta própria

Existem duas formas de conhecer o Vale Sagrado, e a melhor depende do tempo de que dispões e do teu estilo de viagem. A primeira é a excursão de dia inteiro, que parte de Cusco, percorre os principais locais com transporte e guia incluídos e regressa à cidade à noite. É confortável, mas rápida: vais ver muito em pouco tempo, sem margem para paragens.

A segunda opção é visitar a região por conta própria, o que é perfeitamente possível, uma vez que as aldeias estão ligadas por estradas e transportes locais. A partir de Cusco, podes apanhar um «colectivo» (uma minivan partilhada) por cerca de 4 soles até Pisac ou Urubamba e, a partir daí, deslocar-te entre as aldeias. Esta opção demora mais tempo, mas dá-te a liberdade de ficares onde quiseres.

Se a tua ideia é desfrutar dos locais sem pressa, o ideal é reservares pelo menos dois dias e passares uma noite no vale, em Urubamba ou em Ollantaytambo.

Quantos dias precisas de passar no Vale Sagrado?

Para ver o essencial sem pressa, o ideal são dois dias. Num só dia, é possível visitar os principais locais com uma excursão, mas será um dia apressado. Com dois dias, pode visitar com calma Pisac, Ollantaytambo, Moray e as salinas e, de passagem, aclimatar-se antes de prosseguir para altitudes mais elevadas.

Se tiveres mais tempo, o vale recompensa quem faz uma pausa: caminhadas, pequenas aldeias, oficinas de tecelagem e mercados que não aparecem nos circuitos rápidos. Mas, no mínimo, reserva dois dias para não ficares com a sensação de o teres atravessado apenas de passagem.

Onde se insere o Vale Sagrado numa viagem pelo sul do Peru

O Vale Sagrado é, para muitos, a primeira paragem de um percurso mais longo pelo sul do Peru. Depois de Cusco e do vale, o percurso natural continua para sul: Puno e o lago Titicaca, e depois Arequipa e o desfiladeiro do Colca.

É aqui que a vantagem da altitude se transforma em estratégia. Se começares no Vale Sagrado (mais baixo), subires até Cusco e depois continuares até Puno (3 810 metros), estarás a subir por etapas, o que é a forma mais confortável de percorrer o altiplano. As rotas diretas de autocarro entre estas cidades permitem-lhe encadear a viagem ao seu ritmo, sem ter de voltar sobre os seus passos. A rota direta de Cusco a Puno liga precisamente o coração do mundo inca às margens do Titicaca.

Perguntas frequentes

Vale a pena visitar o Vale Sagrado?

Sim. Reúne alguns dos melhores sítios arqueológicos do Peru, paisagens montanhosas e aldeias andinas ainda vivas, tudo a pouca distância de Cusco. Além disso, devido à sua altitude mais baixa, é o melhor local para passar os teus primeiros dias e aclimatar-te.

Quantos dias precisas de passar no Vale Sagrado?

O ideal é passar dois dias a visitar os principais locais sem pressa e ficar uma noite. Num único dia, é possível ver o essencial num passeio guiado, mas de forma apressada.

É possível visitar o Vale Sagrado por conta própria?

Sim. As aldeias estão ligadas por estradas e transportes locais. A partir de Cusco, podes apanhar um autocarro partilhado por cerca de 4 soles até Pisac ou Urubamba e, a partir daí, deslocar-te entre as aldeias.

O Vale Sagrado fica a uma altitude superior à de Cusco?

Não. O fundo do vale fica a cerca de 2 800 metros, cerca de 600 metros mais baixo do que Cusco. É por isso que é recomendado para se aclimatar. A exceção é Chinchero, que fica mais alto, a 3 760 metros.

Como chegar de Cusco ao Vale Sagrado?

De autocarro ou minivan a partir de Cusco (os que vão para Pisac partem perto da rua Puputi), numa excursão organizada ou de táxi privado. A viagem até à entrada do vale demora cerca de uma hora.

Planear bem a tua passagem pelo Vale Sagrado faz toda a diferença entre atravessá-lo à pressa e aproveitá-lo de verdade. E se o considerares o início do teu percurso pelo sul, com o rota direta de Cusco para Puno Podes continuar a viagem em direção ao Titicaca quando estiveres pronto.

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